sábado, 14 de novembro de 2009

«Porque Deus permite que as mães se vão embora?»


Faz hoje cinco anos que a minha mãe partiu. Na impossibilidade de dizer qualquer coisa, deixo-vos com os poetas.

Sempre

Porque Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Porque Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe, não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto do seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade, Antologia Poética.

5 comentários:

Luisa Moreira disse...

Zoe,

O meu pai faleceu há 12 anos, e ainda não superei a sua partida, no dia em que a minha mãe, me faça o mesmo, nem sei o que farei. No entanto não tenho medo de morrer. Sinto é falta de quem cá não está.

Muito confuso!

Beijinho
Luisa

Zoe disse...

Li algures que quem perde a mãe, perde o norte. A sensação que tenho é de abandono e desprotecção totais. E um nó na garganta, não consigo falar dela.
abraço
zoe

Zoe disse...

Li algures que quem perde a mãe, perde o norte. A sensação que tenho é de abandono e desprotecção totais. E um nó na garganta, não consigo falar dela.
abraço
zoe

Turmalina disse...

Zoe, deixo-lhe aqui um grande abraço de conforto.
Bjo

Zoe disse...

obrigada turmalina