sábado, 4 de julho de 2009

Eu não queria ser o cão de Paulo Rangel

Generalizações, lugares comuns, clichés e afins é o género de coisas que me põe os cabelos em pé. Em Novembro do ano passado, numa entrevista ao Sol, Paulo Rangel proferiu várias afirmações que indignaram os amantes dos animais e que A Animal divulgou amplamente. De todas elas __cada uma mais básica que a anterior__, destaco aquela que mais me choca e que me está atravessada desde Novembro:
“Um cão nunca deixa de ser um cão. Trocaria a vida do meu cão pela vida de qualquer pessoa em qualquer lado do mundo, mesmo não a conhecendo. Uma pessoa vale sempre mais do que um animal.”
Paulo Rangel é daqueles que divide o mundo em bons e maus, homens e mulheres, pretos e brancos, pessoas e animais...Como se as pessoas fossem superiores e os animais inferiores, como se as pessoas fossem todas boas e os animais todos maus. Ora, não é assim. Tenho a certeza que alguns animais, muitos animais são muito melhores do que certas pessoas, do que muitas pessoas. Falo daqueles animais cujo trabalho diário consiste em guiar cegos, encontrar cadáveres em escombros de catástrofes naturais, farejar droga, encontrar pessoas desaparecidas. Falo daqueles animais usados no tratamento de deficiências mentais profundas, falo daqueles animais que diariamente protegem os donos e as suas casa, que os consolam nas dores e lhes dão ânimo. E, falo ainda daqueles animais que num momento de heroicidade salvaram vidas humanas. Dos milhares de exemplos retirei três do SOS Animal, Brasil:
«Na cidade de Abruzzi, na Itália (1992) um bebê abandonado pela mãe foi salvo pela cadela Gina, que o arrastou até perto de seus filhotes e o amamentou por quase quatro semanas. O bebê foi descoberto pelo fazendeiro Aldo Stefani, dono da cadela.»
«Um fato notável aconteceu em Arcansas, nos EUA, na década de 80. Um recém - nascido abandonado num bosque dentro de um saco plástico, foi salvo por um gato que, para protegê-lo do frio da madrugada, aqueceu-o com o seu corpo até conseguir socorro. Slowly, o gato herói, tinha o hábito de voltar para casa de seus donos antes do anoitecer. Certa manhã, ao acordar sem encontrá-lo, estes foram procurá-lo no bosque e o encontraram dentro do saco plástico. Ele começou, então a miar estranhamente, os donos se aproximaram e o encontraram lambendo o bebê. »
«Em Pequim, na China, um gato salvou um família de sete pessoas, minutos antes da casa desmoronar. Ao pressentir o desastre, com seu sexto sentido , começou a arranhar a porta do quarto de seu dono Li Shuhua, que se levantou. Ao ver a casa rachando acordou toda família, que pode se salvar graças ao amor e fidelidade do gato pelo dono. Aqueles que afirmam terem os gatos sete vida podem agora dizer que o amor dos gatos pode salvar sete vidas.»
E, neste contexto, não podia deixar de referir que eu própria, há 10 anos atrás, fui salva de morrer por intoxicação de monóxido de carbono pelos meus gatos Teodora e César __a quem presto homenagem__, que em altos miados selvagens nos acordaram (aos humanos e a duas cadelas), quando um princípio de incêndio lavrava enquanto dormíamos.
Então, temos de um lado estes animais não-humanos que salvam, protegem, curam, e do outro lado os pedófilos, os predadores sexuais, todos os josefes fritzles deste mundo, só para falar no que há de mais reles e mais baixo na natureza humana. Poderia acrescentar todas as vítimas das limpezas étnicas, dos ataques terroristas, dos fundamentalistas religiosos, poderia ir por aí adiante e encher umas páginas A4.
Ora, Paulo Rangel sacrificaria de bom grado a vida de um animal salva-vidas pela de um homem destrói-vidas, porque para ele uma pessoa vale sempre mais do que um animal. E é isto que é obsceno na suas afirmações. Paulo Rangel, segundo afirma, trocaria a vida do cão pela vida de qualquer pessoa, então, ele seria capaz de trocar a vida do seu cão pela vida de um pedófilo qualquer, e isto é nojento como afirmação.
Eu, não sacrificaria um pêlo dos meus gatos ou da minha cadela pelos tomates de um pedófilo.
P.S. Este texto não contem qualquer tipo de embirração política. O amor pelos animais e a defesa dos seus direitos é transversal a todas as cores políticas. Por inimaginável que possa parecer a quem está de fora, numa manifestação anti-tourada podem estar a gritar lado a lado, pêéneérres e anarquistas.

7 comentários:

Luisa Moreira disse...

o cérebro dele é proporcional à sua altura.

Zoe disse...

espero que seja válido só para ele... porque eu também sou baixa...

Gillette disse...

Ainda ontem falava com uma amiga que faz voluntariado no Centro de Recuperação do Lobo Ibérico sobre a dor que fica quando um animal morre. Haverá diferença? - pergunto retoricamente ao senhor Rangel, que tem os braços tão curtos que dificilmente «alcançará» o pêlo de algum animal. Os laços que se criam são os que referiste. É uma relação imensa. O animal não trai nem magoa, é da mesma matilha. Da mesma geração. Depois, há os homens ignorantes.

Luisa Moreira disse...

Eu também sou pequena, referi-me a ele e somente a ele.
Só eu sei o que sofri quando os meus outros animais, se foram embora e ainda choro muitas vezes pela falta que me fazem. Aqui mesmo à minha frente, tenho as fotos de todos eles.

Zoe disse...

uf! ainda bem que era só para ele!!!!!!!
o homem é um nojo mental...

Zoe disse...

Gillete, ando há anos para ir ao Centro de Recuperação do Lobo Ibérico.. sou sem perdão...há as pessoas que amam desmeuradamente os animais, as que toleram,
as que não gostam e as que só gostam do seu, (às vezes como um excesso que me irrita...)o rangel poderia ser deste último grupo e ter apreendido que há pessoas e pessoas e animais e animais. caramba, ele não tem laços com o cão?

Anónimo disse...

OI
Adorei essa do não trocava os pelos dos seus gatinhos pelos tomates de um pedófilo
ADOREI
Eu tambem não
Nem uma pulga que por lá tivesse
Abraço,Zoe