terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Natal, e não Dezembro

Natal, e não Dezembro



Entremos, apressados, friorentos,

numa gruta, no bojo de um navio,

num presépio, num prédio, num presídio

no prédio que amanhã for demolido...

Entremos, inseguros, mas entremos.

Entremos e depressa, em qualquer sítio,

porque esta noite chama-se Dezembro,

porque sofremos, porque temos frio.



Entremos, dois a dois: somos duzentos,

duzentos mil, doze milhões de nada.

Procuremos o rastro de uma casa,

a cave, a gruta, o sulco de uma nave...

Entremos, despojados, mas entremos.

De mãos dadas talvez o fogo nasça,

talvez seja Natal e não Dezembro,

talvez universal a consoada.



David Mourão-Ferreira


2 comentários:

Luisa Moreira disse...

Zoe,

Belo poema!

Desejo-lhe um Natal Feliz!

Beijinho

Luisa

Zoe disse...

Obrigada Luísa
Agradeço os votos e desejo-lhe também um feliz Natal.
Beijinho
zoe