segunda-feira, 1 de junho de 2009

Dia Mundial da Criança

Já antes de ter lido a reportagem sobre os dias duros de Alexandra na nova vida na Rússia no jornal Metro, tinha decidido que hoje, no Dia Mundial da Criança iria falar da relação entre crianças e animais. Isto porque, a páginas tantas na entrevista, a mãe refere:" Nos primeiros dias não falava connosco. Sentava-se num canto a desenhar e só falava com os cães e os gatos". Tanks God para a Alexandra que ela gosta de animais, ou ensinaram-lhe a gostar. Eles são a sua salvação, aqueles em quem poderá confiar e ela sabe isso, ou pelo menos intui. Não quero imaginar o que seria a vida desta criança sem a relação afectiva que, em boa hora, mantém com os animais. Muitos pais e educadores negligenciam esta relação e fazem mal, porque, deste modo e desde cedo as crianças aprendem a respeitar a vida não-humana e por essa via tornar-se-ão adultos melhores, mais respeitadores da natureza, do meio-ambiente, dos animais e dos seres humanos que com eles se cruzarem. Ensinar as crianças a gostar de animais não é levá-las ao jardim zoológico, ao circo ou ao cinema verem filmes de animais falantes. Ensinar as crianças a gostar de animais é ensiná-las a pegar neles ao colo, a tratar deles, a passeá-los, a brincar com eles, a dormir com eles como a Lúcia dormia com a Alexandra.
A foto de primeira página do jornal é a menina na casota da Lúcia, que está agora presa por uma corrente. Aliás, vê-se bem na foto do jornal, é a própria trela que serve para a prender, logo curtíssima, o que lhe deve tolher os movimentos de quem agora foi mãe de dois cachorros. Se a criança é tratada aos açoites, não quero nem imaginar como será a cadela...
Ainda a este propósito, é muito interessante uma reportagem da TSF- Rádio Notícias, de 29 de Maio sobre diferentes reacções que o caso provocou na Rússia. Passo a transcrever o texto que considero muito interessante.
Sobre o caso Alexandra, o diário Moskovski Komsomolets dirige-se directamente ao primeiro-ministro russo, Vladimir Putin.
«Os pequenos fragmentos da nova vida de Sandra mostrados pela televisão aterrorizam. A família bebe às claras. A casa está desarrumada. De um quarto de criança com papel de parede cor-de-rosa e Barbie, a Sandra foi transferida para cima de um forno: o colchão não tem lençol e a cortina está pendurada num fio metálico», escreve a jornalista Iúlia Kalinina.
«Mas o pior é que ela trouxe de Portugal a sua querida amiga: a cadela Lúcia. Pois é, esse maravilhoso animal, um labrador ruivo, que talvez antes dormia na cama da menina, foi preso a uma corrente...É o mesmo que prender um anjo a uma corrente», continua a jornalista.
«Sandra habituar-se-á de qualquer forma à nova família. Aprenderá a comer sopa, a dizer palavrões e a fazer as necessidades numa retrete de tábuas, tapando o nariz com os dedos. Depois começará a beber com a mãe para fazer companhia. Nada de horrível, pois, na Rússia, milhões de crianças vivem com os pais alcoólicos, levam murros e dormem em tarimbas. Mas crescem russos, nossos, e não uns portugueses quaisquer», sublinha.
Depois de constatar que é impossível salvar a menina porque a lei está do lado da mãe, a jornalista apela para a recolha de assinaturas para, pelo menos, salvar a cadela Lúcia..

Pois é, só pessoas com o cérebro do tamanho de uma ervilha como eu costumo dizer, criticam quem se ocupa de animais em prejuízo das crianças. É que uma coisa não impossibilita a outra. Espíritos pequenos em tudo, até na generosidade. As pessoas que fazem esta crítica nunca se ocupam de crianças, nem de velhos, nem de animais. São incapazes de dar de si, do seu sangue, da sua medula. Nada. E, tudo isto liga com a fotografia que ilustra o meu post do Dia Mundial da Criança.



7 comentários:

Luisa Moreira disse...

Já conhecia esta foto, mas é sempre ternurento voltar a vê-la...! Quem dera que todo o ser humano, fosse assim generoso.....É linda a foto e dispensa legenda.

Zoe disse...

eu não conhecia a foto, foi-me recentemente enviada.
também acho que a foto dispensa a legenda,mas ela vem colada à foto que me enviaram.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Esta foto já me tinha sido enviada por mail, mas fez um excelente aproveitamento dela para este seu post.
No Rochedo e no Delito de Opinião, falei sobre casos reais com que lidei durante os anos em que me dediquei a estudar a temática do trabalho infantil.
Obrigado pela sua visita e comentário

Anónimo disse...

Estou chocada com a ida da pequena Alexandra para a Rússia.

olga disse...

boa tarde

Zoe disse...

obrigada sr. Carlos Barbosa de Oliveira pelas suas palavras, pois um dos objectivos deste meu blogue é desmistificar e desmontar os preconceitos e clichés que se formaram à volta das pessoas que amam desmesuradamente os animais. Não somos são seres verdes e estranhos, misantropos, desleixados, alienados,anti-sociais e outros adjectivos com que nos costumam brindar.(também os há, como em todo o lado) O que as pessoas não compreendem é que nascemos com este "dom" e por ele sacrificamos a vida e muita coisa, não somos de todo um bando de desocupados que não tem mais nada do que fazer do que ocupar-se com circos e touradas como referiu recentemente MST numa entrevista. É qualquer coisa que nos transcende e que não sabemos explicar.
Estou a seguir com toda a atenção os seus artigos sobre o trabalho infantil, que nunca é demais referir e repetir até à exaustão. Mas, às vezes não consigo comentar o sofrimento de inocentes, quando os números e os textos são demasiados gigantescos.É como enfrentar uma enorme onda...
cumprimentos
zoe

Zoe disse...

olga, podes falar,
o putin não lê o meu blog, nem os comentários!!!!