quinta-feira, 17 de junho de 2010

Parada à esquina do tempo...



Assim andei eu. Gostaria de dizer de dizer que andei atarefadíssima com a minha tese de mestrado como toda a gente neste momento, ou assoberdada de trabalho, ou cheia de projectos ou qualquer coisa, mas nada disso é verdade. Tenho estado, parada na esquina do tempo, como as palavras deste fado de katia guerreiro, cuja versão da mexicana marcela ortiz me encanta, apesar de a qualidade do video estar muito fraca. Poderia dizer que a presença da Mooi entre mim e o computador é ainda muita viva e não estaria a mentir, pois ainda não regressei ao quarto onde a morte passou e a levou. O computador deixou de ter importância, cada vez mais penso que quem gostava dele era a minha gata e era ela que se divertia com ele, através de mim. Agora é um objecto quase inerte, de tampa para baixo. Nada aconteceu nestes 15 dias, a não ser um concerto do Camané no terraço da cafetaria do Museu do Fado, a inauguração da época balnear em Tróia e um casamento em Malpique/Caria/Belmonte com boda em Maçaínhas da Guarda e de todos estes acontecimentos tirei fotografias bem divertidas que aqui poderia ter colocado. Mas não. Houve também situações do dia-a-dia que me indignaram ou surpreenderam ou alegraram e que poderia ter descrito. Mas não. Começou o campeonato mundial, houve inquéritos e comissões e agitação política e social e a malfadada crise, mas não. Nada me motivou a escrever, ou a ler, ou ouvir.
Também por nos últimos tempos ter privado de muito perto com o sofrimento e a morte, visitando o pai de uma amiga no hospital, num Serviço particularmente pesado, se se pode dizer que existem Serviços leves num hospital...Este contacto frequente com a fronteira ténue entre a vida e a morte leva-nos a relativizar o dia-a-dia e as suas mesquinhices e tudo ou quase tudo deixa de ter importância quando vemos alguém a sofrer numa cama de hospital, muita gente a sofrer em camas de hospitais. Porque imediatamente questionamos o sentido do sofrimento, de tanto sofrimento. A conclusão é que não há sentido.
P.S. Mistérica também é, no final do post a ausência de Publicada por Zoe e os comentários. Sou alheia a todas estas anomalias, mas peço desculpa na mesma.         

9 comentários:

César Ramos disse...

Fez bem em colocar a tampa para cima!

Sabe melhor que ninguém, que é isso que a Mooi quer que a Zoe faça...!

E deve fazê-lo para que ela continue...! E vai de certeza continuar...

Não será de mestrado, mas é "dose" de doutoramento!
Adorei o post escrito.
Agora, depois de lido, vou ouvir a música e ficar à espera de mais...

Um abraço
César

Zoe disse...

Viva César
obrigada pelo apoio, mas o que leu foi um rascunho de um post, ainda por cima inacabado!!!!!!!!!! em vez de guardar, publiquei, veja como ando!
abraço
zoe

RIVENDELL´S LAND disse...

Ola,mas ter postado o rascunho ja foi um começo...força...em frente a luta continua,ha sempre uma luta e os nossos amigos de 4 patas precisam de nós mais do que nunca...
Cumps.

Zoe disse...

Obrigada rivendell pelo apoio.
de facto continuo com muitas patas para cuidar, e não lhes tenho dado muitos mimos e atenção, ou pelo menos, a que merecem
beijocas felinas
zoe

Wolkengedanken disse...

Há fases na vida,em algumas gostamos de escrever em outras nao ..... é assim ....
E parece ser que até existem pessoas que nao escrevem blogs :)) um beijinho de longe

Zoe disse...

Wolken querida,
é bem verdade que há gente que não escreve blogs, mas uma vez que começamos parece que ficamos com uma certa responsabilidade de nos justificarmos com as ausências, ou de avisarmos de qualquer coisa, do género: vou de férias. Pior é que n sabemos antecipadamente as travessias do deserto...
beijocas

Luisa disse...

Olá Zoe.
Também tenho tido as minhas ausências, contudo regresso sempre com a promessa de ser mais disciplinada, sou como alguns políticos, nem sempre cumpro.
Devagar há-de conseguir, sem esquecer, voltar à normalidade do blogue.

Um beijinho, Zoe

Zoe disse...

viva Luísa,
obrigada pela passagem,
nos últimos tempos, tenho andado sempre a correr entre a dor e o sofrimento, ou de pessoas, ou de animais, e, se há coisa que me deita abixo é o sofrimento.
beijinho
zoe

MO disse...

Obrigada, compartilho http://www.dnoticias.pt/actualidade/5-sentidos/294808-cantora-mexicana-dedica-a-sua-vida-a-divulgar-a-musica-portuguesa-na-a