A propósito de contentores, lembrei-me de Manuel Alegre __aquele que à 2ª, 4ª, e 6ª é do PS, à 3ª, 5ª e sábado é uma referência histórica, e ao domingo, como tem voz grossa e é muito viril, vai à caça__, que também assinou a petição sobre a posição dos contentores e que a esse propósito escreveu mesmo um fado que é de rir às lágrimas, e que passo a transcrever.
Fado dos Contentores
Já ninguém parte do Tejo
Para dobrar bojadores
Agora olho e só vejo
Contentores contentores.
E do Martinho Pessoa
Já não veria o vapor
Veria a sua Lisboa
Fechada num contentor.
Por mais que busques defronte
Nem ilhas praias ou flores
Não há mar nem horizonte
Só contentores contentores.
Lisboa não tem paisagem
Já não há navegadores
Nem sol nem sul nem viagem
Só contentores contentores.
Entre o passado e o futuro
Em Lisboa de mil cores
O sonho bate num muro
De contentores contentores.
Por isso vamos cantar
O fado das nossas dores
E com ele derrubar
O muro dos contentores.
Gosto particularmente da terceira quadra: por mais que eu busque defronte, nem ilhas...mas, que ilhas é que eu vejo agora do Terreiro do Paço: Cacilhas, Barreiro? Nem praias...Que praias é que eu vejo agora do Cais do Sodré? Trafaria? Cova do Vapor? E, as flores, onde estão, onde, não vejo nada!
Isto (Miguel Sousa Tavares, Manuel Alegre) é que são homens com O maiúsculo e defensores de causas nobres!
P.S. Pergunto
ao vento que passa
Notícias daquela perdiz
[que eu andava a caçar]
E o vento...
Nada me diz...