quinta-feira, 12 de novembro de 2009

António Variações

Escrevi, faz amanhã oito dias, que considero António Variações o melhor letrista português. Não falo de poemas de Alexandre O`Neil, David Mourão-Ferreira, Ary dos Santos, Camões ou Pessoa, que foram musicados e cantados, falo de letras que Variações escreveu de propósito para serem cantadas. São todos muito bons, Carlos Tê, Sérgio Godinho, mas o Variações, enche-me as medidas...
Hoje à noite, vai a leilão o espólio do artista. Se quiserem saber mais, podem ler aqui.

Antonio Variacoes - E P'Ra Amanha

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Vejo um cavaleiro que se afasta
na bruma da tarde
irá ele atravessar florestas,
ou planícies áridas?
Aonde vai? Não sei.
Amanhã estarei deitado
sobre a terra ou debaixo dela?
Não sei.

Omar Khayyam (Rubaiyat)

Dia de S. Martinho

O meu pai fazia hoje anos.







                                                                      Imagens tiradas da Internet

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Contra a chacina de golfinhos nas ilhas Faroe

Outro pedido de divulgação. Desta vez do Partido Pelos Animais, que recolhe assinaturas contra a chacina de golfinhos que se passa nas Ilhas Faroe, aquando dos ritos de iniciação à adolescência. Quem lhes espetava os arpões no lombo era eu. Eu penso que já toda a gente viu essas fotografias, por isso não as publiquei.

«Cliquem no link e assinem por favor. Depois não se esquecam de reconfirmar a assinatura quando receberem a confirmação do Petition Spot, clicando no link.» (PPA_ Sintra)

http://www.petitionspot.com/petitions/faroeislands

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O Muro de Berlim

Faz hoje 20 anos.
Para quem gosta de fotografia, trata-se de uma exposição Web, com fotografias muito originais sobre o Muro de Berlim:

http://www.dieberlinermauer.de/berlimmurohome1024/berlimmurohome1024.html

(uma vez na primeira página, carregam outra vez no endereço, mas vale a pena)

domingo, 8 de novembro de 2009

Muros, muros e mais muros

É só falar-se na queda do muro de Berlim, que não há ninguém que não fale do "muro da vergonha" construído por Israel ao longo da Cisjordânia, especialmente em programas radiofónicos que têm foruns de ouvintes.  Não há ouvinte que se preze que não vocifere clichés e lugares comuns sobre este muro ou nos mande reflectir sobre ele. Foi o que fiz.O que eu não percebo é porque é que não falam de um muro construído com dinheiro da UE, em redor de Melilla, o enclave espanhol em Marrocos, para impedir a onda de emigrantes africanos. Estes sim, são para mim verdadeiros muros da vergonha que a Europa ergue para se proteger de desgraçados que não têm que comer, que não vêm com cintos de explosivos à cintura e que morrem pendurados em arames farpados. Mas, depois, é esta mesma Europa que gosta de estar de dedinho em riste para Israel contra o "muro da vergonha", aliás erguido por construtores e operários palestinianos, com cimento palestiniano. Não percebo porque é que os palestianos, __que tanto gostam de atirar pedras__, não apedrejaram estes empreiteiros palestianianos. Há muita coisa neste conflito que parece que é urdida pelos donos de uma determinada ordem mundial, difundida por uma determinada comunicação social interessada em manter vivo o anti-semitismo no mundo e no tempo, papel que os palestinianos assumem na perfeição, sendo peões __sem disso se darem conta__, de um imenso tabuleiro de xadrez. Vejo, uns monstrinhos muito grandes a manejarem cordelinhos e bonecos que se movem conforme os movimentos. Este povo é muito mais vítima dos seus "irmãos" árabes do que de Israel, mas é muito conveniente que o mundo pense que Israel é o sempre o "mau" da fita. Caramba! Com "irmãos" arábes que têm nos seus palácios torneiras de ouro e não são capazes de instalar um depósito de água aos manos pobrezinhos? E, o que dizer da fortuna pessoal de Arafat, enquanto o "seu" povo passava dificuldades? A divisão entre "bons" e "maus" é muito conveniente. Mas, agora que dizer quando há dois "bons", Fatah e Hamas que se degladiam pelo poder? Por muito que me esforce não consigo ter qualquer tipo de simpatia por grupos como o Hamas, e por uma sociedade que manda as suas crianças para a 1ª linha de batalha, que trata as mulheres abaixo de cão e os cães, meu Deus, não quero nem pensar, considerados impuros na comunidade islâmica. Quanto à liberdade de expressão, foi vê-la aquando das caricaturas de Maomé. Vimos sim, toda a gente viu. São dois mundos diferentes: em Israel uma mulher cientista Ada Yohath ganha o prémio Nobel da Químíca em 2009, enquanto isso em Gaza, o Hamas proibiu as mulheres de andarem de mota, a fim de conservar as "tradições árabes". Quem os punha conservados em formol era eu. O Hamas em frasquinhos.

Ao Paulo


Só! — Ao Ermita Sósinho na Montanha


Só! — Ao ermita sósinho na montanha

Visita-o Deus e dá-lhe confiança:

No mar, o nauta, que o tufão balança,

Espera um sopro amigo que o céo tenha...



Só! — Mas quem se assentou em riba estranha,

Longe dos seus, lá tem inda a lembrança:

E Deus deixa-lhe ao menos a esperança

Ao que à noite soluça em erma penha...



Só! — Não o é quem na dor, quem nos cansaços,

Tem um laço que o prenda a este fadario.

Uma crença, um desejo... e inda um cuidado...



Mas cruzar, com desdem, inertes braços,

Mas passar, entre turbas, solitario,

Isto é ser só, é ser abandonado!



Antero de Quental, in 'Sonetos'

sábado, 7 de novembro de 2009

Óculos, óculos, óculos...


Para quem estiver interessado nas minhas cefaleias e andou muito preocupado com o facto, a origem poder-se-á encontrar nas lentes caducas que precisavam de ser mudadas. E, vão ser, para a semana, quando chegarem as lentes orgânicas que encomendei. Além disso, para a média distância __televisão, conduzir à noite(?) e cinema__, vou também precisar de usar. Juntando aos óculos de sol, faz três estojos! Que vale é que tenho uma mala grande.
A propósito de óculos, foi sempre um mistério para mim, como é que determinado tipo de óculos vai com uma determinada fisionomia, é que sinceramente não vejo grande diferença nos rostos que determinem esta ou aquela armação, há caras mais ou menos magras, mais ou menos cheiinhas, narizes de todo o tipo, orelhas de abano e minúsculas, testas altas e estreitas, mas, não há caras de 50 cm e outras de 20 cm, isto para dizer que somos mais ou menos todos iguais, ou pelos menos não temos grandes diferenças que justifiquem armações tão diferentes. Mas, se eu não entendo tamanho mistério, já as meninas das oculistas dominam esta arte com perfeita mestria. Só com um olhar conseguem logo descobrir o que nos fica bem ou mal, o que nos favorece ou não.  Para a semana, quando lá for mudar as minhas lentes, vou perguntar-lhes onde aprenderam tal arte.  

Sócrates e Merkel


É que eu não quero nem imaginar o que é que José Sócrates estará a propor a Angela Merkel, com aquela vozinha de mel que ele às vezes sabe fazer!
Mas, verdade seja dita, a senhora não está a indignar-se com a proposta, pelo contrário.
Queria ser mosquinha...

Pérolas do FaceBook

Diálogo entre duas italianas no FaceBook, a propósito deste concerto de Mariza:

Laura: Arrepiante, jamais esquecerei aquela noite e aquel concerto, Mariza sempre Mariza. Eu estavo alì!

Alex:No falo portugues. L'unica cosa che so nella lingua (e scommetto che è sbagliata!), a parte saudade. ;-)

Laura: Boa noite, Alex! E' o mesmo correcto! Nao falo o portuguese! (é melhor). Saudade sim, magoa, estan no otras palavras para dizer a saudade, a saudade é mas brasileira...o fado é portuguese.

Mariza - 'Maria Lisboa' (Live at Coliseu dos Recreios Lisboa 31/10/2009)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

António Variações Estou além

Para mim o maior e melhor letrista português. Aqui a acompanhar o estado de espírito do post.

Tanks God is Friday!



Se calhar também não seria má ideia este fim-de-semana arranjar as unhas! E, aproveitar e repensar a vida e não aceitar como adquirido o já existente. Pôr tudo em causa é o que me apetece. Os amigos, por exemplo, será que o são? Porque terei se ser sempre eu a fazer o primeiro passo para tudo? Caramba, estou cansada, dói-me a cabeça, dói-me a vista, tenho cafaleias. Mas, não vale a pena preocupar-me muito com isto. A própria vida incubir-se-á de dizer quem vai, quem fica e quem há-de vir. O que me apetece mesmo é transformar toda a minha vida num palimpsesto. E, depois logo se veria.   

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Dói-me o rim


Faz hoje 11 anos que tirei o meu rim esquerdo. O que terão feito com ele? O que farão os hospitais com os órgãos retirados? Na altura, eram questões que não me colocava, obnibulada que estava com a dor física, na horizontalidade de uma cama, com tubos que me entravam por todo o corpo. Foi no ainda aberto Hospital do Desterro, ao Intendente, hospital de paredes cor-de-vinho que ainda se vê, do lado direito, quando se desce a Almirante Reis. Estava no serviço de Urologia, praticamente dominado pelos chamados velhotes da próstata que se arrastavam pelos corredores, de pijamas às riscas, agarrados ao dispositivo do soro, escapando-se para o corredor para fumar um cigarrito proibido. A minha enfermaria, exclusivamente feminina,  era composta por cinco camas, mas havia uma que não era ocupada, constituindo uma espécie de cama de reserva. Ao meu lado direito ficou a D. Orlanda, desenganada pelo seu médico durante a minha estadia no hospital. Fecharam a cortina da privacidade, aquela à volta da cama, que normalmente fecham quando nos lavam ou fazem outros tratamentos, e nem se ouviam, médico e doente, tudo em surdina, murmurado, depois de ele se ir embora continuou tudo em silêncio, até o choro da D. Orlanda. Na cama em frente ficava a D.Fernanda, operada porque tinha a bexiga rota, segundo as próprias palavras e que gostava de contar anedotas que não tinham piada nenhuma. Fazia a festa, deitava os foguetes e apanhava os pauzinhos. Estávamos as duas deitadas, não nos víamos, só a ouvia, esganiçada: Segure a costura, segure a costura, que vou contar uma muito engraçada. E eu ria-me, porque às vezes rimo-nos de coisas que não têm piada nenhuma, porque a graça está aí. Ao lado dela, portanto na minha diagonal estava a avozinha, não teria muita idade, talvez uns 80 anos, mas como tinha a cabeleira toda branca chamávamos-lhe assim. Falava, falava todo o tempo, numa ladaínha interminável que já ninguém ouvia, dormitávamos, acordávamos, e ela lá estava a contar alto o que tinha sido a sua vida, numa interminável lengalenga, dia e noite, porque o hospital é um sítio onde o tempo não passa e deixa de haver noite e dia, entardecer, alvorada ou  crepúsculo. Posteriormente à minha saída deram-lhe alta, mas, como vivia sozinha, estava sempre a caminhar para as urgências de S.José. Um dia, ao subir uma daquelas indizíveis ladeiras que conduzem a este hospital, escorregou, partiu uma perna e lá ficou internada. Eu e a D.Fernanda ainda fomos vistá-la pouco antes do Natal ao Hospital de São Lázaro, mas a operação ao rim já não resolvera nada e a avozinha partiria em breve para junto dos seus santinhos e anjos, seguindo-se-lhe a D.Orlanda pouco tempo depois. Mas, era uma sala muito atípica para hospital. O meu trambolho sonoro e o da D.Fernanda, __seria muito pomposo chamar-lhes telemóveis__, tocavam a toda a hora, mas, ninguém se importava, era até o próprio pessoal que __a nosso pedido___, no-los punha a carregar; depois havia uma televisão encarrapitada num suporte de parede que se dignava dar um arzinho da sua graça a troco de algumas moedas, fosse isso a que horas fosse, mas, também ninguém lhe ligava ou se importava que ela estivesse ligada às vezes à meia-noite, nem a D.Orlanda se incomodava. A avozinha, indiferente àquela rival chamada tv, continuavas as suas litanias, quanto a nós, dormitávamos e acordávamos. Passei no hospital o domingo do referendo da regionalização, ora eu e a D. Fernanda, danadinhas por sair dali, nem que fosse por uma hora, chateámos toda a gente para ir votar. Lá conseguimos autorização, assinando um termo de responsabilidade e lá fomos numa ambulância dos bombeiros, a dois à hora, pois não podíamos apanhar grandes safanões, deitadas, cada uma agarrada à sua costura. Uma vez chegada à escola onde costumo votar, dispensei a cadeira de rodas, meia dúzia de passos separam a entrada das salas, e fui devagar, devagarinho, botar o meu voto, toda a mesa agradeceu e enalteceu o civismo. Depois, ainda fomos aos Olivais, à escola onde a minha colega de enfermaria costuma votar. Andámos toda a manhã nisto. Quando chegámos foi uma festa.O serviço era pequeno e muito familiar.  Elas já voltaram, elas já voltaram.
Se estou bem? Sim. Já não posso é dizer: doem-me os rins! E, continuo a ser centro das atenções, quando entro no café, e lá está um determinado grupo de velhotas, baixam a voz e cochicham, ainda dizendo 11 anos depois: ela só tem um rim! Mas, como são quase todas surdas, o cochicho sai alto, e eu ouço!!!!!!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um dia morremos e põe-nos a vida toda na rua. Assim.



 Se, depois de eu morrer...

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,

Não há nada mais simples.

Tem só duas datas --- a da minha nascença e a da minha morte.

Entre uma e outra todos os dias são meus.



Sou fácil de definir.

Vi como um danado.

Amei as coisas sem setimentalidade nenhuma.

Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.

Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.

Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;

Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.

Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.

Fechei os olhos e dormi.

Além disso fui o único poeta da Natureza.

Alberto Caeiro

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

«Só os mortos não morrem»

Só eles a mim me restam, são tranquilos e leais
Os que a morte não pode matar mais com seus punhais.

Ao declinar da estrada, no final da vida
Em silêncio se acercam, em sossego seguem minha vida.

Verdadeiro pacto é o nosso, nó que o tempo não desmente.
Só aquilo que perdi é meu eternamente.


Rahel (Bluwstein)- 1890-1931.
Tradução de Nuno Guerreiro José
Retirado por mim do seu blog Rua da Judiaria

La mort - Barbara

domingo, 1 de novembro de 2009

Dia de Todos- os- Santos



Sempre tive pena da identidade do dia de Todos -os-Santos __feriado, esborrachado pela proximidade do dia dos Finados, não-feriado__, que toda a gente aproveita para ir aos cemitérios. Os santos em festa no céu e nós aqui na terra a tratar de sepulturas. Nunca gostei de ir ao cemitério no dia 1 de Novembro, dia 2, sim. Mas, agora há mais uma humilhação para a identidade deste feriado: ficou entalado entre duas celebrações. A "recém-importada" tradição do dia das bruxas veio trazer mais um pretexto para o pessoal se enfrascar, assim sendo, este feriado tem agora uma novidade acrescida: transformou-se num dia de ressaca. Enquanto os filhos dormem, pais e avós vão ao cemitério. O feriado deve estar com a identidade em frangalhos! Atenção, que nada tenho contra a "recém-importada" celebração do dia das bruxas, pelo contrário, é bom para o comércio, e quanto aos copos a mais, bom, também os há nos Santos, no fim-de-ano, no Carnaval, nos aniversários, enfim, pretextos não faltam, além disso prefiro uma "recém- importada" tradição que não envolva maus tratos a animais do que uma velha tradição "nossa" mas cheia de sangue, como a tourada, Os espanhóis têm uma espécie de ditado popular que traduzido mais ou menos à letra fica: "Há tradições que merecem pau!"Eles lá saberão do que estão a falar.