terça-feira, 21 de julho de 2009

Buraco negro

A minha colega Dora definiu o interior das nossas malas como um buraco negro. Eu achei piada e bem visto. Meto a mão lá dentro à procura do telemóvel e trago à superfície uma caixa de óculos. A minha cabeça também anda assim, tudo deve andar lá para dentro do buraco negro, um caderno, um livro, a carteira, o porta-moedas, a bolsa leva-tudo, o creme para as mãos, as caixas de todos os óculos, a garrafa de água, o porta-chaves... Só que ponho a mão lá dentro e não encontro nada.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Cadelas pisteiras

Apesar dos olhos semi-cerrados pelo calor e dos ouvidos parcialmente encerrados para os poupar de tanta idiotice que ouço por esse mundo fora, ainda assim é possível ver (escreverei mais tarde sobre o que vi este fim-de-semana na praia) e ouvir coisas absolutamente inenarráveis.
Ontem, ao final da manhã, numa avenida pseudo-burguesa da capital, arrebitei os ouvidos para a conversa de um casal trintão com um velhote. O homem __com a chamada cara de parvo__, segurava a trela de um cooker (acho eu) preto e branco que dava pelo nome de Rafa. Pelo que percebi, este tinha-se exaltado furiosamente com alguém a quem tinha também furiosamente ladrado. Explicava a mulher__qualquer coisa entre o ignaro e o burgesso__, colocando a voz para dar um ar autoritário:
__ É que o Rafa não suporta nem cheiro a tabaco, nem cheiro a drogado!! E, aquele ali cheirava a drogado!!!
Fiquei pasma. Coisa inaudita. O que uma pessoa aprende! Eu conheço o cheiro a pão, a rosas, a lexívia, a torradas, a sonasol, a frango assado, a sardinhas, a chanel 5, a chichi de gato com cio, a bolo acabado de fazer, a ananás, a morangos. Agora cheiro a drogado, desconhecia, como será???
O que é pena é a GNR não contratar esta senhora para cadela pisteira, é um verdadeiro desperdício.

sábado, 18 de julho de 2009

Brigitte

Isto só pode ser praga rogada por aqueles cidadãos exemplares que perseguem tudo quanto é quatro patas e duas asas e que fazem denúncias e queixas no devido departamento da Câmara...
Tivemos __quase tudo ao mesmo tempo__, a Boneca que partiu, o Preto Cabeçudo com sida, o Nani que foi viver para outra colónia atrás de gatas disponíveis para amar (que as "nossas" tomam a pílula, o que nas gatas lhes retira as predisposições para a vida amorosa) e agora a Brigitte, desaparecida desde ontem. A minha vizinha do rés-do-chão ainda a viu às 10h da manhã no ramo de uma árvore, à hora do almoço viu-a na relva, mas ela nem se mexeu, nem quis comer. A partir dessa altura nunca mais lhe pusemos a vista em cima. A Brigitte sofre de uma grave infecção uterina chamada piómetra, que só é possível curar através da remoção do útero e ovários. Como nunca a conseguimos apanhar __é fugidia e medrosa__, quando a víamos com pus na vagina ou "enfastiada", recorríamos à pescada crua ou alguma latinha especial para desfazer o antibiótico que chegou a tomar por largas temporadas e lá íamos controlando a infeccção. Terá a piómetra "aberta" ter evoluído para "fechada" e terá rebentado na cavidade uterina? Ou, sentindo-se doente terá procurado refúgio no motor de algum carro, onde __principalmente no inverno__, também gostava de estar? Sinto-lhe a falta, pois assim que me via ou que ouvia o barulho das chaves no porta-chaves, logo descia de algum ramo onde gostava de estar encarrapitada e onde era capaz de dormir horas a fio. Sinto a falta daquelas patas pretas a correr na minha direcção.
P.S. Não nos esforçámos o suficiente para a apanhar, devíamos ter pedido emprestado uma espécie de armadilha própria para apanhar gatos de rua, e que há associações que as têm, mas não, achávamos que podímos controlar a infecção através de antibióticos. Sendo que, nos últimos tempos ela até andava muito bem, sem pus. Ainda na véspera, à noite, andou a brincar na praceta com a Flor, como se estivessem num parque infantil.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Omar Khayyam

Nessa encruzilhada do desejo e da necessidade,
não deixes nada:
não voltarás lá nunca mais.

“Ah, enche a Taça:– do que vale repetir
Que o Tempo passa rápido sob nossos Pés:
Não nascido no amanhã, e falecido Ontem,
Por que angustiar-se frente a eles se o Hoje pode ser doce?”

“Move-se a mão que escreve, e tendo escrito, segue adiante;
Nem toda a tua Piedade ou o teu Saber a atrairão de volta,
para que risque sequer metade de uma linha;
Nem todas as tuas Lágrimas lavarão uma só de tuas Palavras. ”

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Coisas que me fazem sofrer

Cães fechados em varandas, no inverno ao frio e à chuva, no verão à torreira do sol, sem um recipiente de água.
Cães presos em quintais e quintas presos por uma corrente de 1m (quando não é uma corda) mal se podendo mexer ou deitar.
Há coisas que não compreendo: porque raio tem esta gentinha animais? Quem não os quer não os tem.
Visitem este site sobre cães acorrentados, aliás tenho-o aqui do lado direito na lista dos meus blogs preferidos:

terça-feira, 14 de julho de 2009

É complicado...

Outra que me põe os cabelos em pé... É complicado...Não sei se é a frase que está na moda ou não, o facto é que há uma determinada agremiação, para quem tudo é complicado: fazer ginástica, ir beber um café, fazer uma regra de três simples, comprar um par de sapatos, fazer uma sopa, ir às compras, adoptar um gato, ir ao médico, apanhar uma vacina. E, fazem questão de o exprimir várias vezes durante uma conversa...É complicado...
Era para mim um mistério, como é que as coisas mais anódinas e inofensivas do quotidiano, que não requerem perícia especial ou especialização em oxford se transformavam para algumas pessoas, numa epopeia semelhante a apanhar uma caravela e dobrar o cabo bojador.
Mas, domingo passado o mistério desvaneceu-se. Estava a televisão ligada espalhando no ar as notícias da tarde, quando ao passar perto, ouço esta pérola paulo bentina naquele tom de voz inconfundível de cromo grunho: «...ligámos o complicómetro, ligámos o complicómetro...» disse ele. Não sei a que se referiu, não ouvi o antes nem o depois nem o contexto em que foi dito. Também não era preciso. O momento era único, de êxtase, porque compreendi, finalmente, porque é que tantas pessoas conseguem transformar a acção mais simples da existência numa numa complicação pegada. É que ...ligam o complicómetro!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Nós, as mulheres...

É o tipo de frases que me põe os cabelos em pé. Nós, as mulheres... Como se o facto de sangrarmos uma vez por mês nos unisse numa irmandade mística e poderosa e, à partida, nos predestinasse para caminhos de santidade. Todas boas, bonitas, gentis, cúmplices, solidárias, companheiras. Ora, não é bem assim. O que é que eu tenho a ver com mulheres como Elizabeth Báthory, Lucrecia Borgia, Messalina, Catarina de Médicis ou todas as leonores ciprianos deste mundo? Para além de uma leve semelhança anatómica e do sangue a escorrer, não tenho nada a ver com estas inhas aqui por mim lembradas. Tirem-me do saco de mulheres, mães, madrastas, amas, avós e outras mulheres que espancam até à morte crianças, que podem ou não ser os seus próprios filhos.
Posso é dizer, nós, as que sangramos uma vez por mês...Umas rebolam-se de dor, outras não.

domingo, 12 de julho de 2009

Burros

Para me conquistar, é escusado um homem vir com raminhos de flores, porque não as aprecio como presente. Gosto delas, sim, no seu mundo. Além disso, sou alérgica ao pólen.
Também é escusado armar-se em pavão exibindo motores potentes, embraiagens a fundo, ou coisas do género, porque para mim um carro é só chapa pintada.
Mas, se um homem me oferecer um burro, aí o caso muda de figura.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Vacas


Chateia-me bastante que o povo chame vaca à Carolina Salgado.
Que necessidade há de ofenderem assim as vacas? Toda a gente sabe que adoro animais, uns mais do que outros, tal como uma pessoa que gosta de cinema ou de livros tem os seus preferidos. As vacas acho-as particularmente bonitas e doces. Lembro-me, nas férias da minha infância, de estar no curral, ao lado da Ti´Milia Russinha, ela a tirar leite, eu sentada ao lado à espera, enchia-me um pucarinho de leite, que eu __intolerante à lactose__bebia morno, e não me fazia mal. Depois, penduradava-me no pescoço da vaca a fazer-lhe festas e ela deixava. Lá pensando para os seus botões, que animal é que eu seria e o que pretenderia.
E, não se esqueçam que na Índia são tidas como sagradas.
So, mais tento na língua na próxima vez que resolverem insultar a dita senhora.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Pensamento pouco profundo.

O Cristiano Ronaldo fala melhor portunhol do que o Luís Figo.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Mistérios

Não compreendo porque é que alguns jornalistas, ao fazerem entrevistas, tratam toxicodependentes, prostitutas e arrumadores de carro por tu.
Conhecem-se? Foram colegas de escola, de liceu? Eram vizinhos? Fizeram juntos os 4 anos de Comunicação Social ? Passavam férias no parque de campismo da Costa da Caparica? Ou, como se dizia no meu tempo de escola, andaram na costura juntos a apanhar alfinetes?
P.S. A acrescentar aos toxidependentes e arrumadores de carros, há ainda os albaneses. Aquando do jogo Portugal-Albânia, perguntava um jornalista da Antena 1, a um engenheiro albanês de 35 anos que falava português (toda a gente o conheceu nas reportagens televisivas):
__Então, onde é que aprendeste a falar português?

terça-feira, 7 de julho de 2009

Peregrinos

Quanto mais vejo funerais em directo e apresentações de jogadores de futebol em estádios repletos, mais me convenço que não sou deste mundo, que sou apenas uma ilusão e que nada mais tenho a fazer senão pegar num cajado de peregrino e partir. Ou ser lobo e ir por montes e vales, estepes e tundras. O desejo que lhe está subjacente é o mesmo. Quando falo de peregrinação, não tenho em mente o seu sentido estrito, de ir a lugares santos e de devoção, cujo significado se aproxima muito de romagem ou romaria. Falo do seu sentido mais lato e profundo, do homem que caminha, de todos nós que por aqui andamos em busca do Absoluto. Desenraízados, a caminhar para algures, em busca da nossa própria essência e fim último, a peregrinação propõe-nos sermos alguém face às madrugadas e aos crepúsculos.

sábado, 4 de julho de 2009

Eu não queria ser o cão de Paulo Rangel

Generalizações, lugares comuns, clichés e afins é o género de coisas que me põe os cabelos em pé. Em Novembro do ano passado, numa entrevista ao Sol, Paulo Rangel proferiu várias afirmações que indignaram os amantes dos animais e que A Animal divulgou amplamente. De todas elas __cada uma mais básica que a anterior__, destaco aquela que mais me choca e que me está atravessada desde Novembro:
“Um cão nunca deixa de ser um cão. Trocaria a vida do meu cão pela vida de qualquer pessoa em qualquer lado do mundo, mesmo não a conhecendo. Uma pessoa vale sempre mais do que um animal.”
Paulo Rangel é daqueles que divide o mundo em bons e maus, homens e mulheres, pretos e brancos, pessoas e animais...Como se as pessoas fossem superiores e os animais inferiores, como se as pessoas fossem todas boas e os animais todos maus. Ora, não é assim. Tenho a certeza que alguns animais, muitos animais são muito melhores do que certas pessoas, do que muitas pessoas. Falo daqueles animais cujo trabalho diário consiste em guiar cegos, encontrar cadáveres em escombros de catástrofes naturais, farejar droga, encontrar pessoas desaparecidas. Falo daqueles animais usados no tratamento de deficiências mentais profundas, falo daqueles animais que diariamente protegem os donos e as suas casa, que os consolam nas dores e lhes dão ânimo. E, falo ainda daqueles animais que num momento de heroicidade salvaram vidas humanas. Dos milhares de exemplos retirei três do SOS Animal, Brasil:
«Na cidade de Abruzzi, na Itália (1992) um bebê abandonado pela mãe foi salvo pela cadela Gina, que o arrastou até perto de seus filhotes e o amamentou por quase quatro semanas. O bebê foi descoberto pelo fazendeiro Aldo Stefani, dono da cadela.»
«Um fato notável aconteceu em Arcansas, nos EUA, na década de 80. Um recém - nascido abandonado num bosque dentro de um saco plástico, foi salvo por um gato que, para protegê-lo do frio da madrugada, aqueceu-o com o seu corpo até conseguir socorro. Slowly, o gato herói, tinha o hábito de voltar para casa de seus donos antes do anoitecer. Certa manhã, ao acordar sem encontrá-lo, estes foram procurá-lo no bosque e o encontraram dentro do saco plástico. Ele começou, então a miar estranhamente, os donos se aproximaram e o encontraram lambendo o bebê. »
«Em Pequim, na China, um gato salvou um família de sete pessoas, minutos antes da casa desmoronar. Ao pressentir o desastre, com seu sexto sentido , começou a arranhar a porta do quarto de seu dono Li Shuhua, que se levantou. Ao ver a casa rachando acordou toda família, que pode se salvar graças ao amor e fidelidade do gato pelo dono. Aqueles que afirmam terem os gatos sete vida podem agora dizer que o amor dos gatos pode salvar sete vidas.»
E, neste contexto, não podia deixar de referir que eu própria, há 10 anos atrás, fui salva de morrer por intoxicação de monóxido de carbono pelos meus gatos Teodora e César __a quem presto homenagem__, que em altos miados selvagens nos acordaram (aos humanos e a duas cadelas), quando um princípio de incêndio lavrava enquanto dormíamos.
Então, temos de um lado estes animais não-humanos que salvam, protegem, curam, e do outro lado os pedófilos, os predadores sexuais, todos os josefes fritzles deste mundo, só para falar no que há de mais reles e mais baixo na natureza humana. Poderia acrescentar todas as vítimas das limpezas étnicas, dos ataques terroristas, dos fundamentalistas religiosos, poderia ir por aí adiante e encher umas páginas A4.
Ora, Paulo Rangel sacrificaria de bom grado a vida de um animal salva-vidas pela de um homem destrói-vidas, porque para ele uma pessoa vale sempre mais do que um animal. E é isto que é obsceno na suas afirmações. Paulo Rangel, segundo afirma, trocaria a vida do cão pela vida de qualquer pessoa, então, ele seria capaz de trocar a vida do seu cão pela vida de um pedófilo qualquer, e isto é nojento como afirmação.
Eu, não sacrificaria um pêlo dos meus gatos ou da minha cadela pelos tomates de um pedófilo.
P.S. Este texto não contem qualquer tipo de embirração política. O amor pelos animais e a defesa dos seus direitos é transversal a todas as cores políticas. Por inimaginável que possa parecer a quem está de fora, numa manifestação anti-tourada podem estar a gritar lado a lado, pêéneérres e anarquistas.

O meu remédio para as minhas dores de cabeça

O toque, o cheiro, a proximidade, a visão das árvores é um remédio mais poderoso para as minhas dores de cabeça do que um comprimido, ou dois para o mesmo efeito. Hoje não fugiu à regra. Benditas árvores.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Miss Simpatia


Manuel Pinho e os corninhos

Deve ser por não gostar nada de touradas, não percebi o que é que ele quis dizer ao deputado Benardino Soares. Estava a chamar-lhe corno? És um cornudo, pá. Queria toureá-lo? Corneava-te todo, pá!
Já quando foi a papa Maizena, achei desusado. Ninguém diz assim. Dizemos farinha Maizena. Farinha Amparo (Já não existe.)
O Allgarve não foi invenção dele?
O senhor tinha as sua esquisitices: inventou conceitos improváveis, usou metáforas de papas e fez um gesto que ninguém anda por aí a fazer assim.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Era ela que prevenia os coelhos e os veados da chegada dos caçadores...

Faz hoje cinco anos que partiu a nossa Sophia. Gosto de TODA a sua obra sem excepção, mas encanta-me de um modo especial A Fada Oriana que deveria ser lida por todas as crianças e adultos. Tenho uma certa tendência natural (e bastante infantil, diga-se de passagem) para me identificar com personagens de romances e histórias e assumir durante algum (pouco) tempo a identidade em causa. Ainda há uns dois anos a minha frase de apresentação de todos os Messengeres era :"...era ela que prevenia os coelhos e os veados da chegada dos caçadores..."

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Mégui

Esta carinha laroca é a Mégui. Paralítica, com metade das patas amputadas, caprichosa, bem-disposta, enérgica, divertida, uma força da natureza. A prova viva de que não é preciso adormecer os animais a torto e a direito, sem critério, porque "é melhor do que estar a sofrer". A verdade é que a Mégui já está comigo há 11 anos, e nunca a vi murcha a um canto (excepto nos dois pós-operatórios), faz a sua vida normal, tem um apetite devorador e uma energia inesgotável.
A Mégui foi tropelada, abandonada e ficou caída numa estrada do Algarve, até que alguém a apanhou e trouxe para a União Zoófila-Av.Conde Valbom, onde vivia quando a conheci.