quinta-feira, 18 de junho de 2009

Palavras que odeio na boca De-Quem-Não-Vou-À-Bola

Esta ideia das palavras que odeio não é minha, é de Pedro Correia do Corta-Fitas, mas acrescentar-lhe-ei "na boca de quem não vou à bola", o que faz delas ainda mais horripilantes...
A palavra que estreia a rubrica é descarga que tem qualquer coisa de sanitário que me nauseia.
Agora imaginem essa palavra na boca de uma pessoa cujo santo não batia com o meu.
A: __ Não dormi nada esta noite, tive uma descarga vesicular!
B: __ Coitada!
E eu, fugindo dali a sete pés...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

DARIUSH (KHOONEH)

Irão, iranianos

Disseram-me que deveria escrever qualquer coisa sobre o Irão, que é o que está a dar. Ora, se o Pacheco Pereira comenta livros sobre espiões na América e coloca fotos sobre a passagem do tempo pelos bancos do jardim do Alto de Santo Amaro, porque irei eu escrever o que quer que seja sobre o Irão que em nada irá acrescentar às dezenas de vídeos e informação sobre o assunto que circula na Net? Está bem, vou escrever qualquer coisa. Porém, toda a gente fala de Moussavi, Ahmadinejad e Khamenei como se fossem íntimos lá de casa, mas eu não tenho intimidades nenhumas com esse pessoal, não sei quem são, de onde vieram e para onde vão. Primeiro precisava de saber quem é quem no Irão. Lá consegui alguma informação sistematizada na BBC Brasil. De qualquer maneira, ainda me falta saber umas coisas de Moussavi __que às vezes é com um s, às vezes com dois__, o reformista, mais liberdade, mais abertura ao ocidente e tal, mas nada de concreto. Quais serão as reformas que preconiza? Em vez do enforcamento de homossexuais, defende a esterilização dos mesmos? Em vez do tradicional tchador preto, permitirá o tchador às flores, às bolas, às riscas, padrões étnicos? Irá cortar o rendimento mínimo de reinserção aos aficionados do Hamas e do Hesbollah? Sinceramente não consigo ver grande diferença entre um e outro, pois quem ali comanda todos os meios, órgãos e instituições do país é o totalitarismo religioso dos ayatollahs, sob o olhar atento dos Guardiães da Revolução (só o nome arrepia), como se eles não fossem o pau mandado de Ali Khamenei, que disse que estava tudo bem e o processo eleitoral tinha decorrido nos conformes democráticos, dando o seu apoio ao falso humilde mas inflamado Ahmadinejad. Helas, não prevejo grandes mudanças no Irão. Agora, se Reza Pahlavi, filho do último xá e actualmente exilado nos EUA comandasse um golpe de estado e voltasse ao Irão, ah, isso sim, haveria mudanças, agora enquanto os ayatollah mandarem não antevejo grandes reviravoltas. Está tudo admirado com a coragem das mulheres de saírem à rua, eu não. Quem há uns anos atrás viu o Dez(Ten) de Kiarostami (sim, já sei que andam por aí a dizer muito mal dele, mas eu gostei do filme), percebeu que as mulheres iranianas de tchador não são bem as mulheres afegãs de burka e que a "revolução" que elas realizam, passa-se a nível do quotidiano, é profunda, enraíza e permitiu-lhes agora virem nas ruas e mostrarem quanto valem. E, nada mais tenho a dizer sobre o assunto.
Aliás, ainda tenho qualquer coisa a acrescentar. As palavras Irão e iraniano despertam em mim recordações ternas e quentes, longe dos barbudos exaltados que conhecemos da televisão. Tendo tido um namorado e amigos iranianos, durante algum tempo vivi com eles, lado a lado, dia após dia. Com eles aprendi a pronunciar correctamente a palavra Khomeini, a fazer arroz, a colocar como deve ser o tchador, hábitos de higiene que ainda hoje pratico, história e cultura persas, a descalçar-me assim que chego a casa...Deixaram a sua marca em mim, como um nome gravado a canivete numa árvore. Eram muito delicados. Tinham uma hierarquia de afectos muito bem definida: as mães, as mulheres, as irmãs. Éramos sortudas, diziam sempre: jeaime comme ma soeur. A pior ofensa que lhes poderia ser dirigida era chamar-lhes árabes. Que não são. São persas. Às vezes lembro-me deles, agora mais do que nunca. Onde estarão Hamid, Nasser, Jamchid, Ali, Mohsen, Rhaim? Como eram uma espécie de xiitas não-praticantes, devem andar lá nas ruas de Teerão, aos gritos a perguntar onde está o voto deles.

P.S. Consegui encontrar no You Tube o vídeo de um cantor muito popular no Irão, Dariush, uma canção que os meus amigos cantavam muito e consegui reconhecer um pedaço: "o meu pai diz-me sempre, deita ódio para longe de ti...". Ah, o tal Dariush, não é o joselito que aparece no video...De acordo com outros videos que estive a ver dele, está um respeitável senhor de barba e cabelo grisalhos, deve ser um colaboracionista...

terça-feira, 16 de junho de 2009

No dia do exame de Português do 12º ano...

Apesar de ter pensado noutra coisa para hoje, não resisto a publicar este texto que acabaram de me enviar por mail. Trata-se de uma composição numa prova livre de Língua Portuguesa realizada por um aluno do 9º ano, numa Escola Secundária das Caldas da Raínha.


«REDAXÃO
'O PIPOL E A ESCOLA'
Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem Direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola. Primeiros a peçoa n se sente motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas. Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto Montanhoso? Ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? Ou cuantas estrofes tem um cuadrado? Ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã? E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os Lesiades''s, q é u m livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah. Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a Malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem abitos de leitura e q a Malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é q conceguiu assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver??? O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a Malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé. Tarei a inzajerar?»

Primeiro pensei tratar-se de um texto forjado, não pode ser verdade. A ser, não consegui esboçar um sorriso ou qualquer coisa de semelhante. Tudo isto é deprimente, desolador. Como é que professores deixam chegar alunos a este estado lastimoso de escrita? E, os pais onde estiveram até agora? Quem se demitiu do processo de transmissão de conhecimentos?? Não, isto não pode ser verdade!!!!!!!!!!!!!! E, tudo isto no dia do exame de Português do 12º ano...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Maria Fernandes - Pinoia

A noite de hoje é dedicada à minha querida Liesbeth, que na Holanda está a passar por provações e vicissitudes que a farão crescer e darão mais profundidade à sua interpretação de fado.

domingo, 14 de junho de 2009

Allen Ginsberg

Há alturas de Khalil Gibran, tardes de Elizabeth Barret Browning, noites de Sylvia Plath, hoje só me apetece é o Uivo de Allen Ginsberg. Deixo-vos o Salmo 3º

Dirigido a Deus: para que ilumine todos os homens. A começar
pelos de Ski Road.
Para que o cruzamento da Avenida Central com a Avenida
Washington se transforme num local mais alto, na Praça da
Eternidade.
Para que ilumine os soldadores dos estaleiros navais com o brilho
dos seus maçaricos.
Para que o maquinista do guindaste erga o braço, numa saudação
festiva.
Para que os ascensores ranjam e falem, subindo e desecendo no seu espanto.
Para que a misericórdia da direcção em que cresce a flor, chame,
por acenos, a atenção do nosso olhar.
para que a flor que cresce em linha recta indique na rectidão o seu
propósito __a procura da luz.
Para que a curvatura e a rectidão indiquem a luz.
Para que o Puget Sound seja uma descarga de luz.
Alimento-me do teu Nome como uma barata se alimenta do de uma
migalha __esta barata é sagrada.

Seattle, 1956

Celebrações profanas

Dizem os franceses que "l´alcool parle", isto é, com os copos as pessoas dizem coisas que pelas mais diversas razões __que nem os próprios sabem__, não o diriam. Esta funcionalidade oferecida pelos copos a mais é óptima, as pessoas revelam cones de sombra, zonas obscuras, bocados da sua índole profunda, e ficamos a saber com quem é que podemos contar ou em quem é que podemos ou não confiar. E assim, as celebrações profanas tornam-se abençoadas.

sábado, 13 de junho de 2009

Santo António


Depois dos festejos profanos de ontem à ontem, seguem-se hoje os festejos sagrados.
Logo à noite, voltam os profanos.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Santo António

Declaro oficialmente abertos os festejos de Santo António.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

93 milhões de euros!

Pela transferência de CR para o Real Madrid. Depois da contratação de Cacá, o presidente do Real, prepara-se para reunir uma nova equipa de galácticos. O que no passado não deu resultados nenhuns visíveis, dá sempre mau resultado juntar tantas individualidades futebolísticas, pois não não há espaço para muitas estrelas brilharem ao mesmo tempo, acabam por se entrechocar. É da mais elementar psicologia. Não lhe prevejo um futuro auspicioso nesta equipa. Mas, mal posso esperar por ouvir o CR a falar espanhol!!!!!
Não nutro qualquer simpatia pelo Real, não tem mística, espírito de equipa. Gosto é do Barça.
É verdade, e os jogadores do Estrela da Amadora, já receberam os ordenados em atraso?

terça-feira, 9 de junho de 2009

Em memória da Boneca, descanse em paz

Vocês que têm seguido os últimos tempos da Boneca lembram-se que ela na 6ª feira, 22 de Maio tinha saltado para um quintal, isolando-se para morrer. Pensávamos nós. Deixámos de a ver durante três dias. No domingo 24 de Maio fiz-lhe até uma oração fúnebre neste blogue. No dia seguinte apareceu. Até ontem viveu naquele quintal onde não temos acesso, mas conseguíamos-lhe mandar comida. Pescada crua, o seu petisco preferido.
Ontem, tivemos um terrível baque: sabe-se lá como, a Boneca tinha conseguido saltar e escalar muros e ali estava na praceta, pele e osso e aquele tumor mamário do tamanho de um balão, mal se podendo mexer, indefesa, prestes a ser atacada por um cão ou esmagada pela manobra de um carro. Já não comeu nada. Nunca mais comeu nada.
Hoje ao fim da tarde, o veterinário Francisco conseguiu apanhá-la pelo cachaço, metê-la dentro da transportadora, anestesiá-la e adormecê-la para sempre.
A Boneca desafiou até ao fim todas as leis da natureza, não se quis isolar nem esconder para morrer, quis vir para perto de nós. Ou, de tão esperta que era, sabia que nós iríamos fazer os possíveis e impossíveis para lhe aliviar o sofrimento. E, veio ter connosco, a quem nunca deixou fazer uma festa. Descansa em paz, Boneca, no Céu dos Gatos.

domingo, 7 de junho de 2009

Parabéns Paulinho


Não o Rangel, o "meu", que hoje faz anos: uma espécie de mano, da minha segunda família, tantas horas boas, muito boas, más, dolorosas, divertidas, como a vida. Parabéns e muitos anos de vida, que ainda temos muita coisa para curtir, Ibiza, o fim-de-ano na Madeira, e por aí adiante...
P.S. Não sei o que se passa, estou a escrever este post, hoje 2ª feira, dia 8 de Junho, e o computador assume a data de domingo. Mas, que fique bem claro: o Paulo faz anos hoje, dia 8.

Eleições europeias

Não percebo o ar levemente surpreso das pessoas perante os resultados das eleições europeias. Eu, que não sou comentadora política, nem jornalista, nem a Maya, nem nenhuma empresa de sondagens tinha previsto estes resultados, atirando, porém, o CDS/PP lá mais para baixo. Não estava toda a gente à espera do "voto de castigo "às políticas governamentais, da penalização do governo?
Todos dizem que ganharam, que cresceram. Parabéns. Mas, não dou congratulations nenhumas ao Paulo Rangel.

sábado, 6 de junho de 2009

Tugas

Ainda dizem que os tugas não são um povo particularmente protegido pelo sagrado, uma elite de eleitos com uma missão especial neste mundo!!
Então e este golo de Bruno Alves (um jogador do éfecêpê!) já nos minutos de compensação,__quando já ninguém acreditava no apuramento e se desinteressou do jogo__, foi o quê este golo?? Sua cambada de hereges, blasfemos, ateus, merecem o quê agora?
Falando sério. O que é facto é que continuo sem fé nenhuma no sr. Queiroz. Nunca tive. Não me perguntem porquê. Não sei. São coisas do domínio da intuição. Logo, inexplicáveis. Tive um namorado que me exocrinava o juízo sobre a cientificidade do 6º sentido. Não tem. Então, não é fiável. Não é científico, como ele dizia. Pois não. Basta estar com o sistema imunológico debilitado, uma anemia forte, ou até uma constipação para achar Bin Laden um avôzinho simpático e o sr. Queiroz um treinador competentíssimo. Chamam-lhe professor Carlos Queiroz, já agora, ele dá aulas de quê? E o jornalista de serviço chamou ao Bruno Alves, herói de Portugal. Nem consigo comentar.
Um dia dissertarei sobre o 6º sentido, hoje não.
P.S. Amanhã, não se esqueçam de não votar no Paulo Rangel!

Paulo Rangel, não!

Lembram-se de uma entrevista de Paulo Rangel ao Sol, em Novembro de 2008? No seguimento dessas declarações a Animal elaborou uma carta à dirigente do PSD em que elencou as citações mais infelizes e preconceituosas daquela entrevista. Cá vão:


“Não faz sentido haver um Dia do Cão.”

“Também não [faz sentido haver um Dia dos Animais]”.

“Um cão nunca deixa de ser um cão. Trocaria a vida do meu cão pela vida de qualquer pessoa em qualquer lado do mundo, mesmo não a conhecendo. Uma pessoa vale sempre mais do que um animal.”

“Os animais merecem protecção mas não são titulares de direitos.”

“Não são eles que têm esse direito [de ser bem tratados e protegidos]. Nós é que temos essa obrigação.”

“Para mim essa é uma concepção errada [a de que os animais devem ter direitos]. Acho que só as pessoas devem ser titulares de direitos.”

“Os animais [também sofrem], mas não sofrem como nós.”

“A caça ou as touradas, enquanto tradições com determinadas características e determinados limites, são toleráveis. Fazem parte da Cultura.”

“Muitas tradições não acabaram e estas [caça e touradas] são daquelas que para mim não devem acabar.”- “Faço uma separação ontológica entre as pessoas e os animais.”

“Num contexto cultural devidamente integrado, certas tradições [como a caça e as touradas] – ainda que possam chocar algumas pessoas – são admissíveis. É a minha posição.”

“Não sou contra [a exibição de touradas na RTP].”- “Desde que devidamente contextualizado [a transmissão de touradas pela RTP, televisão do Estado, expondo as crianças à violência contra os animais], não vejo nisso qualquer problema.”

“A menos que esteja em causa a extinção de espécies, não acho mal [utilização de peles para confecção de vestuário].”- “A dignidade humana é um valor superior ao da dignidade dos animais. O Homem é ontologicamente diferente dos restantes animais.”


Na hora de votar não se esqueçam delas. Sejam emotivos, viscerais, sentimentais ou vão deixar este troglodita mental falar em nosso nome no Parlamento Europeu e votar contra todas as directrizes que minimizem o sofrimento animal?


sexta-feira, 5 de junho de 2009

Post 100

Para comemorar o post 100:

Deve ser daquele charme especial das meninas de Filosofia...A Ana manda-me sempre coisas interessantes ou divertidas. É o caso do comentário de Jordi Joan __correspondente do LaVanguardia em Nova Deli__, sobre este cartaz de Manuela Ferreira Leite. Divertiu-me. Mas, vale a pena ler todo o artigo, pela objectividade e conhecimento que revela da vida política portuguesa.
Cá para mim, isto parece é um cartaz publicitário de apoio à Selecção. (Revela o mesmo entusiasmo que o sr. Queirós!!!) Já para o jogo de apuramento para o Mundial com os albaneses, no próximo sábado às 19h45m. Não desista. Somos todos precisos.


«Mención especial merecen los carteles de Ferreira Leite que jalonan las carreteras portuguesas. "Não desista. Todos somos precisos", reza. Pero la desolada foto en blanco y negro de la candidata, sin maquillar, podría hacer pensar a los turistas que visitan el Algarve que se trata del mensaje de una asociación de apoyo a la tercera edad o de prevención del suicidio.»


Joni Jordan, La Vanguardia


quinta-feira, 4 de junho de 2009

O Chato

Aquelas pessoas que não param de chatear as pessoas que não comem carne parecem o Chato dos Contemporâneos.
Ah, mas agora vou ser eu o Chato, a ver se gostam:

__ Com que então a comer cadáveres, hem?
__ Gostas de cadáveres, gostas? É bom, é?
__ Huum, cheira tão bem esse cádaver!!!!!
__ Então, o que é que estás a comer? Cadáver com batatas fritas? Que bom!!!!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Blog de ajuda a animais

Hoje recebi um mail em que pedem a divulgação de um blog de ajuda a animais escrito em inglês e que pode chegar até junto de pessoas que não lêem português. Claro que divulgo com todo o gosto.

Cá vai ele

http://sosalgarveanimals.blogspot.com/

terça-feira, 2 de junho de 2009

Etnocentrismo

Sempre que há uma tragédia aeronáutica, um cataclismo natural, ou qualquer desastre que envolva centenas de vítimas, há logo a preocupação dos órgãos de comunicação social em nos tranquilizar referindo que não há portugueses entre as vítimas. Ontem tivemos todos um grande susto, é que havia passaportes com nomes portugueses, mas tranquiliza-nos o jornalista, são cidadãos brasileiros que devido à história e cultura têm nomes portugueses. Uff! A informação sobre a nacionalidade das vítimas interessa única e exclusivamente às suas famílias e amigos. Do que percebi ontem eles são os primeiros a ser informados, antes dos órgãos de comunicação. Assim sendo, em que é que a vida de um português vale mais do que a vida de um brasileiro ou de um francês ? É um mistério que me transcende. Acaso temos alguma missão especial a cumprir? Os jornalistas estão ao corrente e esta frase é uma espécie de código para o Criador (esteja descansado, não há portugueses entre as vítimas, os eleitos não foram atingidos) formamos uma comunidade de iniciados que um dia, embarcaremos todos numa nave espacial para salvar o mundo (tipo Arca de N)?
Depois desta frase emblemática proferida pelos jornalistas, a minha mãe que-Deus-tem respondia sempre: Graças a Deus!
Por mais que me esforce, não consigo achar mais valor na vida de um português do que na vida de um brasileiro ou de um francês.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Dia Mundial da Criança

Já antes de ter lido a reportagem sobre os dias duros de Alexandra na nova vida na Rússia no jornal Metro, tinha decidido que hoje, no Dia Mundial da Criança iria falar da relação entre crianças e animais. Isto porque, a páginas tantas na entrevista, a mãe refere:" Nos primeiros dias não falava connosco. Sentava-se num canto a desenhar e só falava com os cães e os gatos". Tanks God para a Alexandra que ela gosta de animais, ou ensinaram-lhe a gostar. Eles são a sua salvação, aqueles em quem poderá confiar e ela sabe isso, ou pelo menos intui. Não quero imaginar o que seria a vida desta criança sem a relação afectiva que, em boa hora, mantém com os animais. Muitos pais e educadores negligenciam esta relação e fazem mal, porque, deste modo e desde cedo as crianças aprendem a respeitar a vida não-humana e por essa via tornar-se-ão adultos melhores, mais respeitadores da natureza, do meio-ambiente, dos animais e dos seres humanos que com eles se cruzarem. Ensinar as crianças a gostar de animais não é levá-las ao jardim zoológico, ao circo ou ao cinema verem filmes de animais falantes. Ensinar as crianças a gostar de animais é ensiná-las a pegar neles ao colo, a tratar deles, a passeá-los, a brincar com eles, a dormir com eles como a Lúcia dormia com a Alexandra.
A foto de primeira página do jornal é a menina na casota da Lúcia, que está agora presa por uma corrente. Aliás, vê-se bem na foto do jornal, é a própria trela que serve para a prender, logo curtíssima, o que lhe deve tolher os movimentos de quem agora foi mãe de dois cachorros. Se a criança é tratada aos açoites, não quero nem imaginar como será a cadela...
Ainda a este propósito, é muito interessante uma reportagem da TSF- Rádio Notícias, de 29 de Maio sobre diferentes reacções que o caso provocou na Rússia. Passo a transcrever o texto que considero muito interessante.
Sobre o caso Alexandra, o diário Moskovski Komsomolets dirige-se directamente ao primeiro-ministro russo, Vladimir Putin.
«Os pequenos fragmentos da nova vida de Sandra mostrados pela televisão aterrorizam. A família bebe às claras. A casa está desarrumada. De um quarto de criança com papel de parede cor-de-rosa e Barbie, a Sandra foi transferida para cima de um forno: o colchão não tem lençol e a cortina está pendurada num fio metálico», escreve a jornalista Iúlia Kalinina.
«Mas o pior é que ela trouxe de Portugal a sua querida amiga: a cadela Lúcia. Pois é, esse maravilhoso animal, um labrador ruivo, que talvez antes dormia na cama da menina, foi preso a uma corrente...É o mesmo que prender um anjo a uma corrente», continua a jornalista.
«Sandra habituar-se-á de qualquer forma à nova família. Aprenderá a comer sopa, a dizer palavrões e a fazer as necessidades numa retrete de tábuas, tapando o nariz com os dedos. Depois começará a beber com a mãe para fazer companhia. Nada de horrível, pois, na Rússia, milhões de crianças vivem com os pais alcoólicos, levam murros e dormem em tarimbas. Mas crescem russos, nossos, e não uns portugueses quaisquer», sublinha.
Depois de constatar que é impossível salvar a menina porque a lei está do lado da mãe, a jornalista apela para a recolha de assinaturas para, pelo menos, salvar a cadela Lúcia..

Pois é, só pessoas com o cérebro do tamanho de uma ervilha como eu costumo dizer, criticam quem se ocupa de animais em prejuízo das crianças. É que uma coisa não impossibilita a outra. Espíritos pequenos em tudo, até na generosidade. As pessoas que fazem esta crítica nunca se ocupam de crianças, nem de velhos, nem de animais. São incapazes de dar de si, do seu sangue, da sua medula. Nada. E, tudo isto liga com a fotografia que ilustra o meu post do Dia Mundial da Criança.